Sua mancha no rosto pode não ser o que você pensa: conheça os 5 tipos mais comuns

Você olha no espelho e percebe uma mancha no rosto.

Ela pode parecer apenas uma alteração de cor na pele, mas existe um detalhe importante: manchas que parecem iguais podem ter causas completamente diferentes.

Pode ser melasma. Pode ser uma marca deixada pela acne. Pode estar relacionada à exposição solar ou ao próprio processo de envelhecimento da pele.

E essa diferença importa, porque o tratamento também muda.

Antes de procurar o melhor creme para manchas ou investir em um procedimento, o primeiro passo é entender qual é o tipo de alteração que está acontecendo na sua pele.

O melasma é uma condição caracterizada pelo surgimento de manchas acastanhadas, geralmente simétricas, principalmente no rosto.

É comum aparecer nas:

  • bochechas;
  • testa;
  • região acima dos lábios;
  • queixo.

Sua origem é multifatorial. A predisposição individual e fatores hormonais podem estar envolvidos, enquanto a exposição à radiação solar e à luz visível pode contribuir para sua piora.

Uma das características mais importantes do melasma é que ele pode apresentar períodos de melhora e piora.

Por isso, o tratamento não deve pensar apenas em clarear a mancha, mas também em controlar os fatores que favorecem sua recorrência.

Com o passar dos anos, a exposição acumulada à radiação ultravioleta pode deixar marcas na pele.

São os chamados lentigos solares, que costumam aparecer como manchas mais bem delimitadas em áreas frequentemente expostas ao sol.

Rosto, colo e mãos estão entre os locais mais comuns.

Elas são diferentes do melasma e podem exigir estratégias diferentes de tratamento.

Por isso, aquela mancha que apareceu depois de anos de exposição solar não deve ser automaticamente chamada de melasma.

A espinha desapareceu. Mas a marca ficou.

Isso acontece porque uma inflamação pode estimular a produção de melanina e deixar uma área mais escura na pele.

Essa alteração é chamada de hiperpigmentação pós-inflamatória.

Ela pode aparecer depois de acne, mas também pode ocorrer após outras inflamações ou agressões à pele.

Um ponto importante: quanto maior a inflamação e quanto mais a pele for manipulada, maior pode ser o risco de deixar marcas.

Por isso, espremer a espinha não é uma estratégia de tratamento.

A pele muda com o passar dos anos.

Além das alterações de textura, linhas e perda de colágeno, também podem surgir alterações de pigmentação.

O fotoenvelhecimento, resultado principalmente da exposição solar acumulada, tem papel importante nesse processo.

É por isso que algumas manchas que aparecem depois dos 40 ou 50 anos podem representar o resultado de décadas de exposição ao sol.

E aqui existe uma informação importante:

o cuidado com a pele aos 40 começa muito antes dos 40.

A prevenção é construída ao longo dos anos.

Nem toda mancha surgiu espontaneamente.

Algumas podem aparecer depois de uma inflamação, queimadura, irritação ou até de determinados procedimentos.

Quando a pele sofre uma agressão, o processo inflamatório pode estimular a produção de pigmento.

Por isso, procedimentos dermatológicos precisam ser indicados considerando não apenas o que se deseja melhorar, mas também as características e o risco de pigmentação daquela pele.

Especialmente em pessoas com maior tendência à hiperpigmentação.

Mas como saber qual é a sua mancha?

Essa é a parte que nenhum teste de internet consegue substituir completamente.

O dermatologista avalia a história da paciente, a localização das manchas, sua distribuição, coloração, evolução e características da pele.

Em alguns casos, exames específicos podem ser necessários para complementar a avaliação.

E isso muda completamente a estratégia.

Porque tratar uma mancha sem saber sua causa é como tentar consertar um problema sem descobrir de onde ele veio.

E os clareadores?

Eles podem fazer parte do tratamento.

Mas não existe um único clareador que seja indicado para todas as manchas.

Ativos, concentrações, combinações e tempo de uso precisam ser definidos de acordo com o diagnóstico e com as características da pele.

Além disso, irritar a pele não significa que o tratamento está funcionando melhor.

Pelo contrário.

Uma inflamação provocada pelo uso inadequado de produtos pode contribuir para o surgimento ou agravamento da pigmentação.

E o protetor solar?

Ele é indispensável.

Principalmente quando estamos falando de alterações de pigmentação.

A exposição à radiação ultravioleta pode estimular a produção de melanina e favorecer a piora de algumas condições.

Por isso, não faz sentido investir em um tratamento para clarear manchas e deixar a fotoproteção em segundo plano.

O tratamento começa também pelo que você faz todos os dias.

Quando uma mancha precisa de avaliação médica?

Uma nova mancha ou uma alteração pigmentada que apresenta mudanças de tamanho, formato ou coloração deve ser avaliada por um dermatologista.

Também vale procurar atendimento quando:

  • a mancha aparece sem uma causa evidente;
  • está aumentando;
  • muda de aparência;
  • apresenta sintomas;
  • não melhora com os cuidados habituais;
  • ou quando você simplesmente não consegue identificar o que é.

Nem toda alteração pigmentada é apenas uma questão estética.

A melhor estratégia para tratar manchas?

Começar pelo diagnóstico.

Melasma não é igual a mancha solar. Mancha de acne não é igual a lentigo.

E uma alteração causada por inflamação não necessariamente terá a mesma resposta de outra pigmentação.

Sua pele pode até parecer semelhante à de outra pessoa. O tratamento não precisa ser.

Na dermatologia, personalizar não significa fazer mais.

Significa fazer o que realmente faz sentido para aquela pele.

Dra. Cintia Guedes
Dermatologia

O que deseja encontrar?

Compartilhe